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Revista Linguagem em (Dis)curso, volume
4, número especial, 2004 |
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Valoração – a linguagem da
avaliação e da perspectiva
Peter
White
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Resumo: Este artigo apresenta um esboço do modelo proposto pela
abordagem da valoração de alguns dos recursos-chave da
avaliação e da perspectiva. Em sua taxonomia dos valores
da Atitude, o modelo fornece uma descrição das opções
disponíveis para construirmos diferentes tipos de avaliações
positivas e negativas. Em sua noção de Atitude direta
versus Atitude implícita, o modelo descreve as opções
disponíveis para ativarmos essas avaliações. Através
de sua descrição dos recursos de Engajamento, o modelo
oferece uma abordagem que permite explorar as formas como
a voz textual se posiciona em relação a essas avaliações,
numa abordagem que permite caracterizar as diferentes
perspectivas intersubjetivas disponíveis para a voz
textual. Devo enfatizar que a abordagem descrita neste
artigo é resultado de um projeto de pesquisa em
andamento, e é quase certo que sofrerá mudanças nos
anos futuros.
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Palavras-chave: valoração; avaliação; atitude; julgamento;
engajamento.
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1.
Introdução
A valoração é uma abordagem
utilizada para analisar a avaliação e a perspectiva em textos.
Essa abordagem surgiu a partir da lingüística sistêmica
funcional (veja, por exemplo, HALLIDAY, 1985/1994; MARTIN, 1992;
e MATTHIESSEN, 1995
), e foi estimulada, num primeiro momento, por trabalhos no
campo da lingüística educacional e pelo desenvolvimento dos
programas australianos de letramento baseados em gêneros
textuais (veja, por exemplo, IEDEMA, FEEZ e WHITE, 1994; CHRISTIE e MARTIN, 1997;
MARTIN, 2000).
A valoração apresenta técnicas
para analisar, de forma sistemática, como a avaliação e a
perspectiva operam em textos completos e em grupos de textos de
qualquer registro. A abordagem
está interessada nas funções sociais desses recursos, não
simplesmente como formas através das quais falantes/escritores
individuais expressam seus sentimentos e posições, mas como
meios que permitem que os indivíduos adotem posições de valor
determinadas socialmente, e assim se filiem, ou se distanciem,
das comunidades de interesse associadas ao contexto
comunicacional em questão.
Uma gama de interesses e questões
analíticas tem moldado o desenvolvimento da valoração na última
década. Entretanto, podemos destacar três ou quatro dessas
questões como as de maior influência.
No final dos anos 1980, um grupo de
lingüistas funcionais na Austrália estava investigando modos
de narrativa, em busca de critérios que permitissem articular
uma taxonomia de sub-tipos narrativos. Eles notaram, por
exemplo, que aquilo que chamavam de ‘anedota’ (PLUM, 1988; MARTIN e PLUM, 1997) apresentava uma orientação distintamente avaliativa, uma vez
que procurava evocar uma reação emocional compartilhada entre
narrador e público. Isso diferia do que eles chamavam de ‘Exemplum’,
um sub-tipo que envolve avaliações de agentes humanos em
termos de moralidade, valor social e aceitabilidade social. Ao
mesmo tempo, o grupo estava interessado em investigar uma
disparidade observada entre a abordagem de produção de ensaios
sobre literatura inglesa adotada por muitos alunos do ensino médio
nas escolas de New South Wales (Austrália), e o que os
professores esperavam encontrar nesses ensaios. Os alunos se
concentravam basicamente em descrever o que sentiam em relação
aos personagens, ou aos argumentos, ou aos textos como um todo,
enquanto que os professores esperam que os alunos discorressem
sobre os insights que os textos ofereciam a respeito da ordem
moral e da condição humana (ROTHERY e STENGLIN, 1997, 2000). No início dos anos 1990, outros membros do grupo voltaram
sua atenção para a forma como o estilo, no discurso jornalístico,
variava de acordo com a posição do autor: repórter geral,
correspondente ou comentarista. Eles notaram que os diferentes
‘estilos’ ou ‘vozes’ estavam associados a certas combinações
de diferentes tipos de valoração, e de escolhas de recursos
existentes que expressam avaliação e perspectiva (IEDEMA et al., 1994; MARTIN, 2002). Isso gerou um interesse no papel mais amplo que
essas escolhas desempenham na construção discursiva da persona
autoral/do falante, e na forma como os textos constroem um público
leitor ‘ideal’ ou ‘preferencial’ (por exemplo, FULLER, 1998;
WHITE, 2000; KÖRNER, 2001; WHITE, 2003).
Duas questões centrais perpassam
todos esses projetos. A primeira diz respeito à natureza da
atitude, à forma como os textos ativam avaliações positivas e
negativas. A segunda diz respeito à forma como os textos
assumem uma posição em relação a essas avaliações e a
significados avaliativos similares, à forma como essas avaliações
e significados são negociados intersubjetivamente. As respostas
que os membros do grupo australiano ofereceram para essas questões
deram à abordagem da valoração sua forma atual. De modo
semelhante, minhas considerações abaixo estão organizados em
torno dessas duas questões principais.
2 Visão Panorâmica
2.1 Atitude – a ativação de
posicionamentos positivos e negativos
Em seus trabalhos iniciais sobre
avaliação em narrativas e em textos escritos por alunos, o
grupo utilizou a já bem estabelecida tradição de pesquisa
sobre a linguagem de afeto, uma tradição que foi exemplificada
por uma edição especial (1989) do
Text, dedicada “ao potencial da linguagem para expressar
diferentes emoções e graus de intensidade emocional” (OCHS,
1989, p. 1). O grupo compartilhava com essa tradição a noção
de que a emoção está ligada, de forma fundamental, à avaliação
de atitudes e
à ativação, pelos textos, de pontos de vista positivos e
negativos. Entretanto, o grupo distanciou-se dessa tradição
uma vez que considera que o afeto, em seu significado mais
geral, não deve ser ligado de forma tão próxima à emoção,
e que é necessário identificar formas adicionais de expressar
significados afetivos ou atitudinais. (Veja, por exemplo, MARTIN, 1997
e MARTIN, 2000). A abordagem da valoração, em particular, propõe que os
significados atitudinais (avaliações positivas e negativas)
podem ser agrupados em três grandes campos semânticos.
2.1.1 Afeto
Primeiro, existem certos significados
fundamentalmente atitudinais associados à emoção – os
textos indicam visões positivas ou negativas através de
relatos das respostas emocionais do falante/escritor, ou relatos
das respostas emocionais de terceiros. Por exemplo (os valores
de afeto estão sublinhados):
Estou desapontado e envergonhado
com o fato de que dois de nossos mais admirados e respeitados
esportistas tenham se comportado dessa maneira. Jogar pelo seu
país é uma honra e um privilégio, não um direito.
O tradicional termo ‘Afeto’ tem
sido usado como um rótulo para tais significados.
2.1.2 Julgamento
Segundo, existem significados que
indicam uma visão da aceitabilidade social do comportamento de
agentes humanos, uma avaliação feita através de referências
a algum sistema de normas sociais. Por exemplo,
Os escolhidos para representar a Austrália
deveriam não só ser talentosos, mas deveriam estar acima
da crítica. Espera-se que a prática do esporte ensine honra,
fair play, trabalho em
equipe, liderança e habilidades sociais. O esporte não
deve “criar” ou apoiar a ganância e os egos.
O termo ‘Julgamento’ foi adotado
como forma de referir-se a esse tipo de significados.
2.1.3 Apreciação
Terceiro, existem significados
utilizados para fazer avaliações de fenômenos semióticos e
naturais através de referências a seu valor num determinado
campo, talvez de forma mais típica referindo-se às suas
qualidades estéticas.
Ele [o Jaguar tipo-E] é uma obra
prima do estilo, com proporções dramáticas, porém
perfeitamente calculadas e bem-elaboradas; seus
detalhes aerodinâmicos estão em perfeita harmonia com
os contornos de seu fabuloso arranjo geral...
O termo ‘Apreciação’ foi
adotado para referir-se a esse tipo de significados.
2.1.4 Modos de ativação –
direto e implícito
A abordagem faz uma distinção em
termos de como esses significados são ativados nos textos. Da
forma mais simples, eles podem ser ativados através de termos
atitudinais explícitos, termos que geralmente carregam um
significado negativo ou positivo. Por exemplo,
Sem a intervenção de uma Suprema
Corte parcial, de direita, para garantir a eleição de
um Republicano, o sr. Bush seria hoje um perdedor esquecido.
[O jornal] the Observer
considera essa eleição uma afronta ao princípio democrático,
com conseqüências incalculáveis para a América e para o
mundo. (The
Observer, Jan 21, 2001 – editorial)
Mais problemáticas, são as ativações
que dependem de implicações e inferências, nas quais
espera-se que o leitor/ouvinte interprete os eventos descritos
ou o estado de coisas como positivo ou negativo, de acordo com o
sistema de valores que eles trazem para o texto. Por exemplo,
George W. Bush fez seu discurso de
posse como o presidente dos Estados Unidos que recebeu 537.000
votos a menos que seu oponente.
(The
Observer, Jan 21, 2001 – editorial)
Aqui, uma descrição essencialmente
‘factual’ posiciona o leitor para uma avaliação negativa
de Bush e/ou do processo eleitoral americano, e obviamente tem o
potencial de ativar essa avaliação, dependendo, é claro, do
ponto de vista que cada leitor traz para o texto. A sentença,
entretanto, não contém valores avaliativos explícitos, nem
significados que transmitam, em si, avaliações negativas.
Está claro que essas valorações
‘implícitas’ levantam sérios problemas teóricos e analíticos.
Ao passarmos da ativação direta para a indireta, saímos do
que certas tradições anglo-americanas vêem como ‘semântica’
para entrar no que elas consideram ‘pragmática’, ou seja,
passamos de significados vistos como inscritos no texto para
significados vistos como operando apenas no contexto. Dessa
forma, aqueles que trabalham com noções analíticas filosóficas
da ‘semântica’ podem querer excluir essas formulações de
tratamentos da ‘linguagem avaliativa’, argumentando que não
há nada na linguagem em si que seja atitudinal. Embora essa
interpretação possa parecer atraente na medida em que evitaria
complicações e produziria análises textuais mais facilmente
replicáveis, isso significaria que grande parte do trabalho
avaliativo feito pelos textos seria simplesmente ignorado. Esse
tipo de análise não somente seria incapaz de lidar com o papel
da avaliação implícita em geral, como também não levaria em
conta a interação, muitas vezes crucial em termos retóricos,
entre avaliações diretas e indiretas. (Para uma demonstração
de como a análise da valoração pode ser usada para investigar
essa interação, veja COFFIN, 1997.) Na abordagem da valoração, portanto, consideramos que essas
formulações se encaixam perfeitamente no escopo das análises
lingüísticas dos efeitos avaliativos.
Nesse sentido, a abordagem se alinha
com o trabalho de autores como Gruber (1993) e Malrieu. (1999). Gruber, por exemplo, inclui em sua taxonomia de ‘Unidades
Avaliativas’ o uso de citações diretas que provavelmente serão
vistas pelo leitor como evidências das limitações éticas da
fonte citada. Embora a fonte citada possa não ser avaliada de
forma direta, ainda assim o uso de suas próprias palavras
desempenha uma clara função avaliativa. Malrieu fornece,
talvez, argumentos ainda mais fortes, alegando que quando as
expressões são consideradas em seu próprio contexto textual,
“é difícil pensar em qualquer frase que não contenha avaliação.
Dentro de um contexto, até mesmo advérbios e complementos como
‘sempre’ e ‘com uma faca’ são avaliativos” (op. cit.,
p. 134).
2.1.5 Critérios tipológicos
O critério exato que sustenta essa
taxonomia de três partes continua sendo uma questão central
para o atual projeto de análise da valoração. A distinção
entre Afeto e as duas outras categorias (Julgamento e Apreciação)
é relativamente problemática. A semântica do Afeto envolve
significados que são tipicamente construídos através de um
processo verbal realizado ou vivenciado por um participante
humano consciente – os Processos Mentais reacionais da lingüística
sistêmica funcional (HALLIDAY 1994) –
Sua atitude me incomoda, eu abomino violência. Mas
esse modo canônico de realização não se aplica ao Julgamento
e à Apreciação, e o quadro se torna ainda mais problemático
pelo fato de que todas as três categorias apresentam realizações
diversas como, por exemplo, adjetivos (líder
adorado [afeto], líder
corrupto [julgamento], belo
homem [apreciação]), advérbios (apaixonadamente;
lindamente; de forma corrupta), substantivos (seu
amor por; tirano; obra prima), e verbos (eu
adoro música de gaita de foles; ele corrompeu o
processo político).
Nesse ponto surgem evidências sugerindo que as
distinções são refletidas nos padrões de estruturas de
colocação.
Sabemos, por exemplo, que a estrutura “Foi
X-valor
de Julgamento da parte de Y fazer...” expressa valores de
Julgamento, mas não valores de Apreciação. Assim, “Foi uma
desconsideração de sua parte deixar o gato na chuva” é possível,
mas não “Foi elegante de sua parte usar aquela roupa”. De
forma similar, quando termos como “bonito” funcionam como
Apreciação, a estrutura “Foi X da parte de Y fazer…” não
é aceitável (“Foi bonito de sua parte usar seu cabelo
daquele jeito”), mas quando eles assumem a função de
Julgamento a estrutura se torna possível (“Foi bonito de sua
parte ajudar aqueles meninos de rua”.) Entretanto, precisamos
de mais investigações nessa área. Neste estágio a taxonomia
de três partes está sendo proposta como uma hipótese sobre a
organização dos significados relevantes, e está sendo
apresentada como um ponto de comparação para outros
pesquisadores que tenham classificações alternativas, como um
recurso para aqueles que necessitam de algo que lhes ajude a
lidar com a avaliação no discurso, e como um desafio para quem
está interessado no desenvolvimento de raciocínios
apropriados.
2.1.6 A inter-relação entre os
modos atitudinais
Devemos enfatizar, entretanto, que
embora essa abordagem procure expandir as noções estabelecidas
do ‘afetivo’, ela ainda considera as três categorias como
fundamentalmente interligadas na medida em que todas tem a ver
com a expressão de ‘sentimentos’. A diferença é que a
fundamentação desses sentimentos varia ao longo dos três
modos. No Afeto, a ação da emoção é indicada de forma
direta – os sentimentos são apresentados como reações
incidentais e personalizadas de sujeitos humanos a algum estímulo.
Mas no que diz respeito tanto ao Julgamento quanto à Apreciação,
esses sentimentos são de alguma forma institucionalizados e
reapresentados como qualidades inerentes ao fenômeno avaliado
em si. Assim, “Eu gosto daquele quadro” ancora a avaliação
nas reações momentâneas e individuais do falante, enquanto
que “Aquele é um belo quadro” ancora a avaliação nas
propriedades ‘objetivas’ do fenômeno avaliado em si. No
caso do Julgamento, os sentimentos são reconstruídos como
propostas sobre a forma correta de comportamento – como deveríamos
ou como não deveríamos nos comportar. Assim, em “Ele foi
cruel ao deixar o gato na chuva”, o sentimento negativo em
relação ao agente deste ato é reconstruído como uma proposta
sobre quais são as formas corretas e incorretas de se tratar um
gato. No caso da Apreciação, os sentimentos são reconstruídos
como proposições sobre o valor das coisas. Assim, em “Aquele
é um belo quadro”, o sentimento positivo em relação ao
quadro é reapresentado como uma proposta sobre o valor estético
da obra. (Para uma discussão sobre a mudança evolutiva nas
crianças do Afeto para o Julgamento e a Apreciação, veja
PAINTER, 2003. Para uma discussão mais ampla sobre o Julgamento
e a Apreciação como formas institucionalizadas de sentimentos,
veja MARTIN, 2000). O papel central do Afeto em formas institucionalizadas de
sentimentos é demonstrado de forma diagramática abaixo.
3.1 Afeto
A abordagem da valoração
preocupa-se em mapear os domínios semânticos que operam no
discurso. Dessa forma, as categorizações utilizadas freqüentemente
reúnem estruturas gramaticais diversas dentro um único grupo
semântico discursivo. O Afeto é típico nesse sentido – seus
valores algumas vezes são expressos na forma de qualidades
(adjetivos – “Estou feliz com isso”), outras na forma de
processos (verbos – “Isso me agrada”), e outras ainda na
forma de comentários adjuntos. Eles também podem ser
realizados como entidades virtuais (substantivos) através de
nominalizações – e.g. “felicidade”.
Seguindo
Martin 1997e Martin 2000, a abordagem da valoração classifica os
diferentes exemplos de afeto de acordo com os seguintes 6
fatores:
i. Os sentimentos são construídos pela
cultura popular como positivos (agradáveis) ou negativos
(desagradáveis)?
ii. Os sentimentos são representados como
uma onda de emoção envolvendo algum tipo de manifestação
paralinguística ou extralingüística (por exemplo, choro ou
tremores), ou são representados como experiências internas, na
forma de um estado emotivo ou de um processo mental em
andamento?
|
* |
onda comportamental
|
Ela
rompeu em choro. |
|
* |
processo/estado mental
|
Ela
estava desesperada. |
iii. Os sentimentos são representados como
voltados para, ou resultado de, algo específico, como
direcionados a, ou como resultado de, algum estímulo emocional
específico, ou como um estado de espírito geral?
|
* |
reação a um estímulo
|
A
ausência da mãe a está deixando triste.
|
|
* |
estado de espírito indireto
|
Ela
está triste. |
iv. Onde colocaríamos os sentimentos, numa
escala de baixa a alta intensidade?
|
* |
baixa |
Eu
não gosto de música de gaita de foles.
|
|
* |
média |
Eu
detesto música de gaita de foles. |
|
* |
alta |
Eu
abomino música de gaita de foles. |
v. Os sentimentos envolvem intenção (ao
invés de reação) com relação a um estímulo ainda não
realizado (irrealis), em oposição a um estímulo já realizado
(realis)?
|
* |
realis |
Estou
chateado com o que ela disse. |
|
* |
irrealis |
Tenho
medo do que ela possa dizer. |
vi. Por fim, as emoções podem ser
reunidas em três grandes grupos ligados à in/felicidade,
in/segurança e in/satisfação. A variável in/felicidade cobre
as emoções ligadas aos ‘assuntos do coração’ –
tristeza, raiva, felicidade e amor; a variável in/segurança
cobre as emoções ligadas ao bem-estar eco-social –
ansiedade, medo, e confiança; a variável in/satisfação cobre
as emoções ligadas ao telos
(a busca de objetivos) – tédio, desprazer, curiosidade,
respeito.
|
* |
in/felicidade
|
Estou
triste. |
|
* |
in/segurança |
Estou
ansiosa. |
3.2 Julgamento: um esboço

Figura
– Julgamento e apreciação como afeto institucionalizado
(MARTIN, 2000).
2.2 Perspectiva intersubjetiva
Em sua descrição dos recursos
utilizados para expressar a perspectiva intersubjetiva, a
abordagem está interessada em formulações que
tradicionalmente foram analisadas dentro de categorias como
modalidade (veja, por exemplo, PALMER, 1986), polaridade (veja, por exemplo,
PAGANO, 1994), evidencialidade (CHAFE e NICHOLS, 1986), atenuadores/intensificadores (MARKKANEN e SCHRÖDER, 1997;
HYLAND, 1996; MYERS, 1989; MEYER, 1997), linguagem vaga (CHANNELL, 1994), intensificação (LABOV, 1984), e meta-discurso (CRISMORE, 1989). Na abordagem da valoração, esses termos léxico-gramaticais
diversos foram unificados com base na premissa de que todos eles
são recursos que alteram o grau de engajamento do falante com
suas propostas e proposições, e que modificam o que está em
jogo em termos interpessoais, tanto em enunciados individuais
quanto no texto como um todo. Esses recursos de perspectiva
intersubjetiva são divididos em duas categorias gerais - (a)
recursos através dos quais a voz textual posiciona a proposição
em curso em relação a alternativas reais ou potenciais
(rotulados Engajamento), e (b) recursos que criam gradações ou
escalas (rotulados Gradação), tanto em termos do grau de
investimento pessoal da voz textual na proposição
(intensificadores/minimizadores), quanto em termos das escolhas
que a voz textual faz com relação à precisão do foco de suas
formulações. Devido a limitações de espaço, neste trabalho
considerarei somente o Engajamento. (Para uma descrição
completa do Engajamento e da Gradação, veja Martin eWhite, no prelo).
A explicação da funcionalidade
intersubjetiva desses valores de Engajamento é baseada na
influente noção bakhtiniana de dialogismo e heteroglossia,
segundo a qual toda forma de comunicação verbal, seja ela
escrita ou falada, é ‘dialógica’ na medida em que falar ou
escrever significa referir-se a, ou retomar de alguma forma, o
que já foi dito/escrito, e simultaneamente antecipar as
respostas de leitores/ouvintes reais, potenciais ou imaginados.
Como afirma Voloshinov,
A realidade presente da linguagem-fala
não é o sistema abstrato de formas lingüísticas, nem o
enunciado monológico isolado, nem o ato psicológico de sua
implementação, mas o evento social da interação verbal
implementada num enunciado ou enunciados.
Assim, a interação verbal é a
realidade básica da linguagem.
O diálogo… também pode ser
entendido num sentido mais amplo, significando não só a
comunicação direta, face a face, vocalizada, entre pessoas,
mas também toda comunicação verbal de qualquer natureza. Um
livro, i.e. uma performance verbal impressa, também é um
elemento de comunicação verbal. ... [Ele] inevitavelmente se
orienta em relação a performances anteriores na mesma
esfera… Assim, a performance verbal impressa provoca, de certa
forma, um colóquio ideológico de larga escala: ela responde a
algo, afirma algo, antecipa possíveis respostas e objeções,
busca apoio, e assim por diante. (VOLOSHINOV, 1995, p. 139)
A linha adotada pela abordagem da
valoração afirma que a funcionalidade desses recursos só pode
ser adequadamente explicada quando os efeitos dialógicos são
levados em consideração. Isto é, acreditamos que através do
uso de palavras/expressões como
‘possivelmente’,
‘Afirmo que...’, ‘naturalmente’, ‘supostamente’,
‘Penso que...’, a voz textual age, antes de mais nada,
no sentido de engajar-se e alinhar-se em relação a outras
vozes e posições que são, de certa forma, alternativas à
posição que está sendo defendida pelo texto.
Nesse
sentido, a abordagem da valoração se distancia de grande parte
da literatura sobre modalidade e evidencialidade (veja, por
exemplo, LYONS, 1977; PALMER, 1986; ou CHAFE e NICHOLS, 1986), e de pelo menos parte da literatura sobre atenuadores (veja
MARKKANEN e SCHRÖDER, 1997), nas quais a descrição de marcadores de modalidade epistêmica
e de recursos similares, por exemplo, freqüentemente parte do
princípio que a única função dessas palavras/expressões é
revelar o estado mental ou o conhecimento do escritor/falante,
ou indicar que o escritor/falante está indeciso, e não se
compromete com o valor de verdade da proposição apresentada.
3 Avaliação atitudinal – um breve
esboço
O julgamento é o campo de
significados através dos quais construímos nossas posições
em relação ao comportamento humano – aprovação/condenação
do comportamento humano através de referências à
aceitabilidade e às normas sociais; avaliações do caráter de
alguém, ou do quanto essa pessoa se aproxima das expectativas e
exigências sociais. A abordagem divide esses Julgamentos em
dois grupos: aqueles que lidam com a estima social, e aqueles
orientados para as sanções sociais. Os Julgamentos de sanção
social envolvem a afirmação de que alguns conjuntos de regras
ou regulamentos, codificados de forma mais ou menos explícita
pela cultura, estão em jogo. Essas regras podem ser morais ou
legais, portanto os julgamentos de sanção social envolvem
questões de legalidade e moralidade. Da perspectiva religiosa,
as quebras de sanções sociais são vistas como pecados, e na
tradição cristã ocidental, como pecados ‘mortais’. Da
perspectiva jurídica, elas são vistas como crimes. Assim,
romper uma sanção social significa correr o risco de receber
punições legais ou religiosas, daí o termo ‘sanção’. Os
Julgamentos de estima social envolvem avaliações que podem
levar o indivíduo a ser elevado ou rebaixado na estima de sua
comunidade, mas que não possuem implicações legais ou morais.
Dessa forma, valores negativos em termos de estima social são
vistos como disfuncionais ou inapropriados, ou algo que deve ser
desencorajado, mas não são avaliados como pecados ou crimes.
(Se você desrespeitar sanções sociais, você pode precisar de
um advogado ou de um confessor, mas se você desrespeitar a
estima social, talvez você tenha que fazer um esforço maior,
ou praticar mais, ou consultar um terapeuta, ou possivelmente um
livro de auto-ajuda.)
Os Julgamentos de estima social podem
estar ligados à normalidade (até que ponto alguém é estranho
ou pouco usual), capacidade (quão capaz esse alguém é) e
tenacidade (quão determinado ele é). Os Julgamentos de sanção
social têm a ver com a veracidade (quão sincero alguém é) e
a propriedade (quão ético ele é). Por exemplo:
|
Estima social |
Positiva [admiração]
|
Negativa [crítica]
|
|
normalidade
(costume)
‘O
comportamento do indivíduo é pouco usual, especial,
comum?’ |
padrão, corriqueiro, médio…;
sortudo, felizardo…;
elegante, avant garde…
|
excêntrico, estranho,
dissidente…;
azarado, infeliz…;
cafona, fora de moda…
|
|
capacidade
‘O indivíduo
é capaz, competente?’ |
habilidoso,
inteligente, engenhoso…;
atlético, forte,
poderoso…;
lúcido, centrado…
|
burro, lento, simplório…;
desajeitado, fraco, sem
coordenação…;
insano, neurótico…
|
|
tenacidade
(resolução)
‘O indivíduo é
confiável, bem disposto?’ |
corajoso, valente, heróico…;
confiável, responsável…;
incansável, decidido,
perseverante
|
covarde, impetuoso,
cabisbaixo…;
pouco confiável,
irresponsável…;
distraído, preguiçoso,
dispersivo… |
|
|
|
|
|
Sanção Social
|
Positiva [elogio]
|
Negativa [condenação]
|
|
Veracidade
(verdade)
‘O indivíduo
é honesto?’ |
honesto, sincero,
verdadeiro…;
autêntico, genuíno…;
franco,
direto…; |
falso, desonesto…;
impostor, falso…;
enganador,
enrolador… |
|
Propriedade
(ética)
‘O
indivíduo é ético, acima da crítica?’
|
bom,
virtuoso…;
respeitador
das leis, justo…;
carinhoso,
sensível, respeitoso…
|
mau,
imoral, lascivo…;
corrupto,
injusto…;
cruel,
mesquinho, bruto,
opressor…
|
Figura
– Julgamento
(baseado
em IEDEMA,
FEEZ e WHITE, 1994).
Tipicamente, a estima social corre
mais riscos na cultura oral, onde seus valores são policiados
através de tipos discursivos como a fofoca, as piadas, e vários
sub-tipos de narrativa. (Sobre o papel da estima social na
fofoca, veja EGGINS e SLADE, 1997). É através dos valores compartilhados da estima social que
as redes sociais do dia-a-dia, como a família e a amizade, são
formadas. Em contraste, as sanções sociais são codificadas
através de leis, regulamentos e normas produzidas por instituições
de grande poder social, como o governo, o sistema jurídico e a
igreja. As sanções sociais são implementadas através de
penalidades e punições institucionalizadas, e são
naturalizadas através das noções de moralidade, honra e
religiosidade. Os valores compartilhados das sanções sociais
sustentam o dever cívico e a obediência religiosa.
Na abordagem da valoração, a
taxonomia de cinco partes descrita acima (normalidade,
capacidade, tenacidade, veracidade, propriedade) está calcada
na semântica da modalização, articulada por Halliday (1994). Isto é, cada uma das sub-categorias de Julgamento pode ser
entendida como uma lexicalização de uma das categorias
gramaticais da modalidade. Essa relação opera nas seguintes
proporções: a normalidade está para a usualidade; a
capacidade está para a habilidade; a tenacidade está para a
inclinação; a veracidade está para a probabilidade; e a
propriedade está para a obrigação. Nos primeiros trabalhos
sobre Julgamento (IEDEMA et al., 1994), os rótulos dos cinco sub-tipos eram mais próximos desses
opostos modais, como podemos ver na figura abaixo (destino para
normalidade; resolução para tenacidade; verdade para
veracidade; ética para propriedade).

A ponte entre as opções modais
subjacentes e as categorias lexicais de Julgamento é fornecida
pela noção hallidayana de metáfora interpessoal (HALLIDAY,
1994). No modelo de Halliday, os valores modais podem ser
realizados de forma congruente (não-metafórica) através de
auxiliares modais (pode,
deve, poderia, etc) e adjuntos modais (talvez,
possivelmente, certamente), e metaforicamente através de
formulações mais lexicais como “É possível que…”, “É
necessário que…”, “Eu acho que…”, etc. É possível
construir uma série de realizações para os valores modais
‘epistêmicos’ de probabilidade, usualidade e capacidade
começando de forma congruente (através de formulações
‘gramaticais’), passando por formulações metafóricas
(mais lexicalizadas), até chegar a um léxico de natureza
claramente valorativa. Dessa forma, modalizações de
probabilidade podem ser relacionadas a Julgamentos lexicalizados
de veracidade:
Ele é
levado.
Certamente
ele é levado.
É
certo que ele é levado.
É
verdade que ele é levado.
É
verdade, mentira, fato, etc. que ele é levado.
[julgamento: veracidade]
De forma similar, a modalidade de
usualidade pode ser relacionada aos julgamentos de normalidade:
Ele é
levado.
Ele é
levado com freqüência.
É
comum que ele seja levado.
É
normal que ele seja levado.
É
normal, elegante, peculiar, estranho, etc. que ele seja levado.
[julgamento: normalidade]
O mesmo se aplica à habilidade e
capacidade:
Ele
pode ir.
Ele é
capaz de ir. Ele é
forte o suficiente para ir.
Ele é
saudável, maduro, inteligente, etc. o suficiente para ir.
[julgamento: capacidade]
Uma relação similar de
proporcionalidade pode ser apontada entre aos valores modais deônticos
(obrigação, inclinação) e os valores de Julgamento de
propriedade e tenacidade. Assim, a inclinação pode ser
relacionada à tenacidade expressa na forma lexical:
Eu vou.
Estou
determinada a ir.
Estou
decidida a ir.
Estou
decidida.
Estou
firme, certa, convencida, etc. da minha decisão de ir.
[julgamento: tenacidade]
E a obrigação pode ser relacionada
a julgamentos lexicalizados sobre propriedade:
Vá.
Você
deveria ir.
Espera-se
que você vá.
Seria
injusto você ir.
Seria
insensível, arrogante, egoísta, grosseiro, etc. de sua parte
ir.
[julgamento:
propriedade]
(Para uma
descrição mais detalhada, veja MARTIN e WHITE no prelo)
3.3 Apreciação
Como foi indicado acima, a Apreciação
é o campo dos significados usados para construir avaliações
dos produtos do trabalho humano, tais como artefatos, edificações,
textos e obras de arte, e também de fenômenos naturais e
estados de coisas. Em termos semânticos, atribui-se a esses
objetos um valor (negativo ou positivo) num dado discurso ou
campo de atividade. Um dos principais sistemas utilizados para
atribuir esse valor é a estética. Os sujeitos humanos também
podem ser ‘apreciados’ ao invés de ‘julgados’, mas
somente naqueles casos nos quais suas qualidades estéticas estão
sendo discutidas, e não a aceitabilidade social de seus
comportamentos.
A abordagem da valoração sub-divide
a Apreciação em três tipos: avaliações que se referem a
como reagimos às coisas (elas chamam nossa atenção? elas nos
agradam?), sua composição (equilíbrio e complexidade), e seu
valor (se elas são inovadoras, autênticas, eficazes, saudáveis,
relevantes, importantes, significativas, etc.).
Apresento abaixo alguns exemplos
ilustrativos.
|
|
POSITIVO
|
NEGATIVO |
|
reação:
impacto
‘Isso
mexeu comigo?' |
chamativo,
cativante, atrativo... ;
fascinante,
excitante, comovente... ;
animado,
dramático, intenso... ;
notável,
surpreendente, sensacional... |
sem-graça,
tedioso, cansativo... ;
seco,
ascético, pouco atraente... ;
unidimensional,
previsível, monótono... ;
banal,
comum... |
|
reação:
qualidade
'Eu
gostei disso?' |
adorável,
lindo, esplêndido... ;
atraente,
encantador, bem-vindo...
|
comum,
feio, grotesco... ;
repulsivo,
revoltante, repelente...
|
|
composição:
equilíbrio
'Isso
me parece bem elaborado? |
equilibrado,
harmonioso, unificado, simétrico, bem proporcionado... ;
consistente,
bem elaborado, lógico … ;
bem
formado, curvilíneo, longilíneo …
|
sem
equilíbrio, discordante, irregular, torto, imperfeito …
;
contraditório,
desorganizado … ;
mau
formado, amorfo, retorcido... |
|
composição:
complexidade
'Isso
foi difícil de entender?' |
simples,
puro, elegante... ;
lúcido,
claro, preciso… ;
intrincado,
rico, detalhado, preciso...
|
complicado,
extravagante, bizantino...;
misterioso,
obscuro, vago … ;
simples,
monolítico, simplista...
|
|
valorização
'Isso
valeu a pena?' |
penetrante,
profundo... ;
inovador, original, criativo... ;
no
tempo certo, há muito esperado, divisor de águas…;
inimitável,
excepcional, único…;
autêntico,
real, genuíno…;
valioso,
de valor incalculável, meritório… |
superficial,
reducionista, insignificante...;
derivativo,
convencional, prosaico…;
ultrapassado,
fora de época, datado…;
feito
em série, ordinário, comum…;
falso,
espalhafatoso…;
sem
valor, de má qualidade, caro demais…
|
O fato de que valores afetivos
subjazem todas as três sub-categorias da Atitude (Afeto,
Julgamento, Apreciação) pode ser demonstrado de forma mais óbvia
nos valores reacionais da Apreciação, tais como em ‘um livro
fascinante’, ‘uma música cansativa’. Esses
exemplos, é claro, envolvem um léxico que poderia ser também
utilizado para expressar Afeto – ‘esse livro me fascina’,
‘essa música me cansa’. A abordagem da valoração mantém
esses exemplos separados com base na noção de que há uma
diferença retórica significativa em jogo na escolha entre uma
avaliação ancorada nas reações emocionais de um sujeito
humano específico (‘Esse livro me cansa.’) e uma
externalização desse sentimento representando-o como uma
característica inerente da entidade avaliada em si. Em outras
palavras, consideramos importante fazer uma distinção entre
construir as emoções de um sujeito humano (Afeto) e atribuir a
coisas o poder de gerar essas emoções (Apreciação).
4 Engajamento: uma visão panorâmica
Como indiquei anteriormente, o
tratamento dado aos recursos de posicionamento subjetivo dentro
da abordagem da valoração tem como base a noção de que todos
os enunciados verbais são, em última análise, dialógicos.
Para ilustrar este estilo, considerarei de forma breve a
funcionalidade da oração “há uma discussão, não há”,
retirada do seguinte extrato de uma entrevista de rádio. O
entrevistador questiona o então Primeiro Ministro conservador
australiano, John Howard, sobre o comportamento dos bancos
australianos ao aumentarem as taxas de juros num período em que
estavam tendo lucros recordes.
Há uma discussão, não há, de
que os bancos foram meio gananciosos, quero dizer, os lucros estão
altos e isso é bom para eles, eles têm o direito de ter altos
lucros, mas ao mesmo tempo as taxas estão se aproximando de um
nível insuportável no momento.
Há, é claro, um aspecto dialógico
retrospectivo no uso dessa oração. O entrevistador se
apresenta como alguém que está simplesmente utilizando as
palavras de um outro grupo anterior e não-especificado de
falantes. Mas há outras coisas acontecendo aqui em relação à
forma como o texto reconhece, e assim se engaja com,
alternativas potenciais para a proposição que está sendo
apresentada. Através dessa estratégia, o entrevistador indica
que essa é uma avaliação contestada e questionada do
comportamento dos bancos – ele reconhece que essa é apenas
uma das posições correntes sobre o tema dentro da comunidade.
Assim, ele indica, ou antecipa, que pelo menos alguns elementos
da comunidade irão fazer objeções e desafiar a sugestão
apresentada. Ao apresentar a proposição como algo ‘discutível’,
ele indica que não está comprometido pessoalmente com ela, e
assim sinaliza sua disposição para debater o assunto. Nesse
sentido, portanto, a formulação pode ser vista como um exemplo
de antecipação dialógica.
Segundo a abordagem da valoração,
as seguintes opções (que podem estar presentes de forma múltipla
num único enunciado) permitem que a voz textual varie os termos
de seu engajamento com vozes e posições alternativas.
Refutar – a voz textual se
posiciona contrariamente a, ou rejeita, uma posição oposta:
Declarar – ao apresentar a
proposição como altamente plausível (forte, válida, crível,
bem-embasada, aceita por muitos, confiável, etc.), a voz
textual se opõe a, suprime ou descarta posições alternativas:
-
(concordar)
naturalmente…,
é claro…, obviamente…, supostamente…, etc.; alguns
tipos de perguntas ‘retóricas’
-
(declarar)
Eu
afirmo…, a verdade é que…, não há dúvida que..., etc.
-
(endossar)
X
demonstrou que…; X convincentemente argumentou que...; etc.
Considerar – ao ancorar a
proposição em uma posição subjetiva individual e incidental
textual a apresenta como apenas uma dentre um leque de posições
possíveis – e assim considera ou invoca essas alternativas
dialógicas:
-
parece que;
as evidências sugerem que; aparentemente; ouvi dizer que
-
talvez,
provavelmente, pode ser, é possível, pode/deve; alguns
tipos de perguntas retóricas.
Atribuir – ao ancorar a
proposição na subjetividade de uma voz externa, a voz textual
a apresenta como apenas uma dentre um leque de posições possíveis
– e assim supõe ou invoca essas alternativas dialógicas:
5 Contração e expansão dialógica
Assim, considera-se que essas várias
opções permitem variações de perspectiva – elas permitem
uma orientação diferente da diversidade heteroglóssica na
qual o texto opera. Além disso, elas são divididas em duas
categorias gerais, de acordo com um amplo eixo de variação em
termos de funcionalidade retórica: são caracterizadas como
geradoras ou de ‘expansão dialógica’ ou de ‘contração
dialógica’. A diferença está no grau no qual um enunciado,
por meio de uma ou mais palavras, levanta posições e vozes
dialógicas alternativas (expansão dialógica), ou, ao contrário,
age no sentido de desafiar, dispersar ou restringir o escopo
dessas posições ou vozes (contração dialógica).
Considere os seguintes exemplos como
ilustração dessa distinção:
1. (Endossar)
Follain
Follain esvazia o mito romântico de que a Máfia teria começado
como grupos de homens que protegiam os pobres, no estilo Robin
Hood. Ele mostra que a máfia surgiu no século XIX como grupos armados
que protegiam os interesses dos proprietários de terras ou imóveis,
donos da maior parte da Sicília. Ele também
demonstra
como a máfia construiu laços com o partido italiano Democrata
Cristão, de situação, a partir da guerra.
(Cobuild
Bank of English)
2. (Distanciar) Tickner disse que,
independente dos resultados, a comissão real era um desperdício
de dinheiro, e que ele conduziria uma investigação paralela
sobre o tema, encabeçada pela juíza Jane Matthews. Seu ataque
surgiu quando as mulheres aborígines envolvidas exigiram que
uma ministra examinasse as crenças religiosas que
alegam serem inerentes à sua luta contra a construção de
uma ponte para a ilha perto de Goolwa, no sul da Austrália. (Cobuild)
Ambos os excertos são obviamente
dialógicos na medida em que fazem referência explícita a
enunciados e pontos de vista de vozes externas. Entretanto, há
mais em questão aqui do que uma simples atribuição, ou uma
simples multiplicação de vozes. O excerto 1 é um exemplo de
formulação no qual um tipo especial de verbos de relato é
usado (mostrar, demonstrar) – o que pressupõe a confiabilidade da
proposição atribuída e a apresenta como verdadeira, plausível
ou justa. (Os verbos de relato desse tipo já foram, é claro,
largamente discutidos na literatura sobre atribuição e sobre
discurso direto e indireto. Veja, por exemplo, HUNSTON, 2000
ou CALDAS-COULTHARD, 1994
). Através dessas formulações de ‘endosso’, a voz textual
se alinha com uma voz externa que é representada como correta,
conhecedora do assunto, ou de algum modo convincente em termos
argumentativos, pelo menos no que diz respeito a essa proposição
em particular. Ao indicar, dessa forma, um investimento pessoal
maior do autor, ao trazer para a causa retórica em questão a
posição de algum grupo externo forte, essas formulações se
contrapõem a, ou pelo menos distanciam, posições contrárias
reais ou potenciais. Isto é, elas aumentam o custo interpessoal
para qualquer um que queira defender tais alternativas. Assim,
no exemplo acima, ‘mostrar’ e ‘demonstrar’ indicam que a
voz textual se opõe à noção alternativa desacreditada de que
os membros da Máfia se comportavam ‘no estilo Robin Hood’.
Esses endossos, portanto, podem ser interpretados como uma forma
de ‘contração dialógica’ – eles fecham o espaço para
alternativas dialógicas.
O excerto 2 tem o efeito oposto.
Nele, é claro, a voz textual se distancia da proposição
enquadrada pelo verbo ‘alegam’, representando-a, senão como
pouco confiável, ao menos como questionável, como
potencialmente aberta ao debate.
O efeito produzido é um convite, ou ao menos uma suposição, a
alternativas dialógicas, o que diminui o custo interpessoal
para alguém que queira apresentar tais alternativas. Assim,
essas formulações de ‘distanciamento’ podem ser vistas
como capazes de produzir uma expansão dialógica, de abrir o
espaço dialógico para posições alternativas.
Dessa forma, na distinção entre
‘Endossar’ e ‘Distanciar’, vemos o contraste fundamental
entre a contração e a expansão dialógica.
5.1 Outros recursos de expansão
dialógica
Dois outros modos dialógicos se
alinham com as formulações de ‘distanciamento’ ao abrirem
espaço para alternativas – os valores de ‘Reconhecer’ e
‘Considerar’.
Reconhecer
A categoria ‘Reconhecer’ envolve
a atribuição através de estruturas ‘neutras’ utilizadas
simplesmente para relatar as palavras e pontos de vista de vozes
externas – pelo, por exemplo, de verbos de relato como
‘dizer’, ‘relatar’, ‘declarar’, e expressões como
‘de acordo com’, ‘em seu ponto de vista’. Assim como no
caso das outras formas de atribuição (Distanciar, Endossar),
essas formulações são obviamente dialógicas na medida em que
introduzem uma voz alternativa no texto. E, mais uma vez, elas
também são dialógicas porque, ao ligarem explicitamente a
proposição a um sujeito específico, elas a representam como
individual e incidental, como apenas uma em um gama de proposições
possíveis. Nesse sentido, as alternativas para a proposição
em questão são reconhecidas, e o contexto heteroglóssico na
qual o texto opera é assim revelado.
Considerar
As formulações que ‘consideram’
de forma ativa as alternativas dialógicas incluem,
-
formulações evidenciais e dedutivas, como
parece
que, aparentemente, as evidências sugerem, etc.
-
formas que apresentam a proposição/proposta como
mais ou menos provável, incluindo os marcadores modais de
probabilidade, assim como certos usos ‘retóricos’ de
perguntas.
Nesses contextos, a proposição é
ancorada na subjetividade da voz textual, uma vez que essa voz
apresenta avaliações da probabilidade ou da base evidencial da
proposição. Assim ancorada, a proposição é apresentada como
incidental e associada a um ponto de vista individual, e como
apenas uma dentre um número de posições alternativas possíveis.
Dessa forma, as alternativas são consideradas ou reconhecidas,
e seu espaço dialógico é conseqüentemente expandido.
5.2 Outros recursos de contração
dialógica
Afirmar
Segundo a abordagem da valoração,
as ‘Afirmações’ são formulações que envolvem certos
tipos de intensificação, ênfase autoral, ou intervenções ou
interpelações autorais explícitas. Por exemplo:
Eu
afirmo…, Os fatos em questão são…, A verdade em questão
é…, Só podemos concluir que…, Você deve concordar que…,
intensificadores com escopo oracional como
de
fato, na verdade, etc., e, na fala, a tonicidade empregada
de forma apropriada (e.g. ‘O nível de tolerância
É
resultado da intervenção do governo.’).
Por exemplo, a oração ‘Está
absolutamente claro para mim’ no seguinte excerto desempenha
essa função,
Está
absolutamente
claro para mim que o que Charlotte estava querendo dizer era
que
O
Tigre e o Dragão era um filme ruim ao qual o público
liberal atribuiu uma significância gerada por seus próprios
preconceitos sobre o cinema chinês e sobre os chineses em
geral.
Essas intensificações e interpelações
são motivadas pelo dialogismo. A voz textual não indica seu
maior engajamento pessoal com a proposição num vácuo
comunicativo. Pelo contrário, esse engajamento é construído
se contrapondo a alguma alternativa dialógica oposta – no
exemplo acima, contra uma visão oposta do que ‘Charlotte’
estava querendo dizer. Assim, esse tipo de formulação é dialógico
na medida em que reconhece uma alternativa, ao mesmo tempo em
que tenta desafiá-la ou descartá-la. Ele causa uma contração
dialógica ao confrontar e descartar a posição contrária.
Concordar
A opção ‘Concordar’ envolve
expressões como é claro,
naturalmente e
obviamente. Essas formulações são similares aos
‘Pronunciamentos’ na medida em que também permitem que a
voz textual transmita explicitamente seu engajamento com o ponto
de vista defendido, e assim confronte ou descarte possíveis
alternativas. Entretanto, elas diferem dos Pronunciamentos na
medida em que representam a proposição/proposta como pacífica
dentro da comunidade de fala em questão, como algo ‘dado’,
como estando de acordo com aquilo que todos sabem ou esperam. A
voz textual é representada como defensora de um ponto de vista
compartilhado pelo público em geral, e assim também pelo
leitor/ouvinte. Considere, como exemplo, o uso de ‘é claro’
no excerto abaixo.
Quando, tarde demais, seus
organizadores escolheram Paul Adams, que certamente teria
garantido a vitória na segunda partida em Johannnesburgo, o
ataque deles se tornou ‘muito bom’ na opinião de Trevor
Bailey, que tem bastante experiência. Bailey, é claro, era
uma raridade, um jogador de críquete que, em seu auge, atingiu
nível internacional tanto com o bastão quanto com a bola.
(do
corpus de OzNews do Bank of English)
Aqui o escritor se representa como
simplesmente concordando com o leitor, como simplesmente
relatando uma opinião (de que Bailey era uma raridade no cenário
do críquete) que já é compartilhada por seu parceiro dialógico,
e pelo público em geral. A localização da proposição em
questão dentro de uma troca dialógica é, assim, empregada
para aumentar o custo de qualquer tentativa subseqüente de
desafiá-la ou rejeitá-la.
Refutar (negar e contrariar)
A
opção final de contração dialógica é produzida pelos
significados que invocam algum enunciado anterior, ou alguma
posição alternativa, para então diretamente rejeitá-la,
substituí-la, ou apresentá-la como insustentável. É óbvio
que negar ou rejeitar uma posição representa o máximo em
termos de contração uma vez que, embora a posição
alternativa esteja sendo reconhecida, ela á apresentada como
inaplicável – o que significa que ela é confrontada de forma
direta. Esse é o campo da negação e da concessão/contra-expectativa.
O termo ‘Refutar’ é usado para referir-se a formulações
que operam dessa forma, apresentando dois sub-tipos.
1) Refutar: negar (negação)
A partir da perspectiva dialógica da
abordagem da valoração, a negação é um recurso utilizado
para introduzir uma posição alternativa positiva no diálogo,
reconhecê-la e engajar-se com ela, para então rejeitá-la.
Dessa forma, em termos interpessoais/dialógicos, o negativo não
é simplesmente o oposto lógico do positivo, uma vez que o
negativo carrega em si o positivo, enquanto que o positivo não
engloba, de forma recíproca, o negativo. Esse aspecto do
negativo, embora se contraponha ao senso comum, já foi bastante
discutido na literatura – veja, por exemplo, Leech 1983
, p. 101; Pagano 1994
; ou Fairclough 1992
, p. 121. Veja, por exemplo, o seguinte excerto de um anúncio
publicado em várias revistas pela British Heart Foundation
(Fundação Britânica do Coração).
Todos nós gostamos de algo
substancioso. Mas às vezes nós abusamos de algumas coisas
boas. E uma pessoa cuja dieta consiste em cheeseburgers duplos e
batatas-fritas pode terminar parecendo um balde de banha. Não
há nada de errado com carne, pão e batatas. Mas que tal
carne magra, pão integral e batatas assadas?
Aqui a negação ‘Não há nada de
errado com carne, pão e batatas’ é claramente dialógica uma
vez que invoca, e se apresenta como uma resposta a alegações/crenças
de que ‘HÁ algo de errado com carne, pão e batatas’.
Assim, ocorre um engajamento dialógico com uma posição
anterior e alternativa.
2) Refutar: contrariar
Relacionadas a essas formulações
negativas, temos aquelas que representam a proposição corrente
como substituindo e suplantando uma proposição que esperaríamos
encontrar em seu lugar. Considere, por exemplo,
Eles [Kevin e Ian Maxwell, filhos de
Robert Maxwell] têm muito a provar nos próximos anos. A partir
de agora eles tentarão não só construir suas próprias
fortunas, mas também limpar o nome de seu pai. Os dois
cresceram vendo o pai como o eterno outsider, um homem que lutou
contra os preconceitos do Establishment e da burocracia
mesquinha para chegar aonde chegou. Certo, ele desrespeitou
regras. Sim, ele era liso e escorregadio. É sabido que ele se
comportava mal. Mas
veja o que ele conquistou. Do nada, ele se tornou um empresário
multinacional com um império que se estendia pelo mundo, o
confidente de estadistas, e tão famoso quanto eles.
(Do
corpus UKMags do Bank of English)
O excerto acima (do jornal
The Times) trata do famoso empresário britânico, magnata da
imprensa e ex-parlamentar trabalhista, Robert Maxwell (já
falecido), e de seus dois filhos, Kevin e Ian. No texto, o autor
procura explicar, até mesmo justificar, porque os dois filhos
talvez tenham continuado a ver o pai sob uma luz favorável,
apesar da forma negativa com que Maxwell passou a ser visto em
termos gerais. (Depois de sua morte, descobriu-se que Maxwell
havia secretamente desviado milhões de dólares de duas de suas
empresas e de fundos de pensões de empregados, na tentativa de
impedir a quebra de seu império). Para os nossos fins analíticos,
estamos interessados na parte final do texto, o enunciado que se
segue ao ‘Mas’ – ‘Mas veja o que ele conquistou. Do
nada, ele se tornou um empresário multinacional…’ Aqui, a
voz textual se opõe ao que é representado como uma opinião
negativa geral sobre Maxwell. Através da formulação, a opinião
negativa é apresentada como inaplicável, pelo menos no que diz
respeito aos filhos de Maxwell. Assim, através de uma interação
dialógica, uma certa posição é reconhecida, e em seguida
rejeitada.
6 Recursos de engajamento – resumo
As seguintes tabelas fornecem uma
panorâmica dos recursos de Engajamento.
|
Contração
dialógica: |
|
|
Refutar: |
|
|
|
*
Negar: e.g. É
uma crítica que não considera os sentimentos da
comunidade chinesa. |
|
|
|
*
Contrapor: e.g.
O
que é surpreendente é encontrar uma opinião tão
ofensiva no the Guardian. |
|
|
|
|
|
|
Declarar:
|
|
|
|
*
Concordar: e.g.
O Primeiro-Ministro,é claro, quer que nós o
vejamos como um bom anti-racista. |
|
|
|
*
Afirmar: e.g.
Está
absolutamente claro para mim que
o que Charlotte estava querendo dizer era que O
Tigre e o Dragão
era um filme ruim. |
|
|
|
*
Endossar: O
trabalho do Dr Ruffman mostrou que os pais ou
cuidadores que conversam com seus filhos sobre estados
mentais – pensamentos, crenças, desejos e
sentimentos – acabam criando crianças que conseguem
saber, mais cedo do que outras, o que os outros estão
pensando. |
|
|
|
|
|
Expansão
dialógica: |
|
|
Supor:
e.g.
Talvez
o fato mais revelador da crítica de Charlotte Raven
sobre O Tigre e o Dragão não esteja na crítica em
si, mas no preâmbulo de uma linha que se encontra no
site do the Guardian. |
|
|
|
|
|
Atribuir |
|
|
|
*
Atribuir/Reconhecer: e.g.
O preâmbulo
declara: “uma grande chatice, um drama
engessado: Charlotte Raven ousa discordar da aclamação
unânime recebida pelo filme O Tigre e o Dragão, de
Ang Lee”. |
|
|
|
*
Atribuir/Distanciar: e.g.
e
alguém até sugeriu que, ao usar a oração
“parecia conter multidões” para descrever a
performance do elenco, Charlotte estava fazendo alusão
a imagens ocidentais das “massas chinesas”.
|
7 Conclusão
Em resumo, esse é um esboço do
modelo proposto pela abordagem da valoração de alguns dos
recursos-chave da avaliação e da perspectiva. Em sua taxonomia
dos valores da Atitude, o modelo fornece uma descrição das opções
disponíveis para construirmos diferentes tipos de avaliações
positivas e negativas. Em sua noção de Atitude direta versus
Atitude implícita, o modelo descreve as opções disponíveis
para ativarmos essas avaliações. Através de sua descrição
dos recursos de Engajamento, o modelo oferece uma abordagem que
permite explorar as formas como a voz textual se posiciona em
relação a essas avaliações, numa abordagem que permite
caracterizar as diferentes perspectivas intersubjetivas disponíveis
para a voz textual.
Não é possível nem apropriado,
dentro do presente contexto, ir além desse esboço descritivo,
e tentar demonstrar aplicações do modelo a questões textuais
analíticas. (Para ver esse tipo de demonstração, confira, por
exemplo, CHRISTIE e MARTIN, 1997; MACKEN-HORARIK e MARTIN, 2003;
WHITE, 2002; ou MARTIN e WHITE, no prelo). Como forma de conclusão, entretanto, talvez seja
interessante notar que as aplicações desenvolvidas até o
momento voltaram-se para as seguintes questões:
-
diferenças em perfis Atitudinais (diferentes padrões
de ocorrência de sub-tipos Atitudinais) através dos quais
textos individuais, ou grupos de textos (por exemplo, os que
representam determinado registro ou gênero), podem ser
contrastados,
-
padrões intratextuais de ocorrência de valores
Atitudinais que permitem a identificação de estágios
funcionais,
-
associações entre certos atores sociais e tipos
particulares de avaliação Atitudinal,
-
o papel da Atitude na criação da despersonalização
estratégica nos textos,
-
a associação de padrões particulares de
recursos dialógicos com efeitos retóricos, tais como a construção
de personas autorais, ou a criação de um público
‘preferencial’,
-
adrões de integração entre Atitude e
Engajamento que revelam as pressuposições ideológicas
presentes no texto.
Devo enfatizar que a abordagem
descrita aqui é resultado de um projeto de pesquisa em
andamento, e é quase certo que sofrerá mudanças nos anos
futuros. Ao tentar desenvolver princípios semióticos para
classificar os efeitos avaliativos associados aos textos,
aqueles que trabalham com a valoração precisaram procurar
novas formas de identificar e criar categorias lingüísticas, e
novas maneiras de explicar os efeitos comunicativos e retóricos.
Precisamos de mais trabalhos que nos permitam aprimorar esses
princípios taxonômicos, e fortalecer essas linhas de argumentação
lingüística.
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Beyond modality and hedging: a dialogic view of the language of
intersubjective stance. Text, v. 23, n. 3: Special
Edition on Appraisal, p. 259-284, 2003.
(Artigo traduzido – sem data de
tramitação).
|
Title:
Appraisal
– the language of evaluation and stance
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Author:
Peter
White |
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Abstract:
This
article presents, in outline, the model provided by the
appraisal framework of some of the key resources of
evaluation and stance. In its taxonomy of values of
Attitude it provides an account of the option available
for construing different types of positive or negative
assessment. In its notion of direct versus implied
Attitude, it provides an account of the options available
for activating these assessments. By its account of the
resources of Engagement, it offers a framework for
exploring how the textual voice positions itself with
respect to such assessments, a framework for
characterising the different intersubjective stances
available to the textual voice. It must be stressed that
the framework set out in this article is the product of a
continuing research project and is almost certain to
undergo some changes in future years.
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Keywords:
appraisal;
evaluation; attitude; judgment; engagement.
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Tìtre:
Valoration
– le langage de l’évaluation et de la perspective
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Auteur:
Peter
White |
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Résumé:
Cet
article présente une ébauche du modèle proposé par
l’abordage de la valoration de quelques recours clés de
l’évaluation et de la perspective.
Dans sa taxonomie des valeurs de l’Attitude, le modèle fournit une
description des options disponibles pour qu’on puisse
construire de différents types d’évaluations positives
et négatives. Dans sa notion d’Atitude directe versus
Attitude implicite, le modèle décrit les options
disponibles pour qu’on puisse mettre en œuvre ces évaluations.
À travers la description des recours de l’Engagement,
le modèle offre un abordage qui permet d’exploiter les
formes selon lesquelles la voix textuelle se place par
rapport à ces évaluations, dans un abordage qui permet
de caractériser les différentes perspectives
intersubjectives disponibles pour la voix textuelle. Je
dois accentuer que l’abordage décrit dans cet article
est le résultat d’un projet de recherche qui est en
cours, et, encore, je dois avouer qu’il est presque
certain qu’il sera soumis à des changements dans les
années à venir. |
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Mots-clés:
valoration;
évaluation; attitude; jugement; engagement.
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Título:
Valoración
– el lenguaje de la evaluación y de la perspectiva
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Autor:
Peter
White |
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Resumen:
Este
artículo da a conocer un esbozo de modelo propuesto por
el abordaje de la valoración de algunos de los
recursos-clave de la evaluación y de la perspectiva. En
su taxonomía de los valores de la Actitud, el modelo
proporciona una descripción de las opciones disponibles
para que podamos construir diferentes tipos de
evaluaciones positivas y negativas.
En su noción de Actitud directa versus Actitud
implícita, el modelo describe las opciones disponibles
para la puesta en práctica de esas evaluaciones. A través
de su descripción de los recursos de Comprometimiento, el
modelo ofrece un abordaje que permite examinar atentamente
las formas de posicionarse la voz textual con relación a
esas evaluaciones, un abordaje que permite caracterizar
las diferentes perspectivas intersubjetivas disponibles
para la voz textual. Debo enfatizar que el abordaje
descrito en este artículo resulta de un proyecto de
investigación que se encuentra en marcha, el cual,
seguramente, sufrirá cambios en los años venideros.
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Palabras-clave:
valoración;
evaluación; actitud; juicio; comprometimiento.
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Desenvolvimento: Prof. Dr. Fábio José Rauen |