|
Resumo:
Este artigo relata uma pesquisa a partir da qual se discute a
relação entre paratopia e dispositivo enunciativo. Fundamentada
em suportes teóricos da Análise do Discurso, a investigação toma
como objeto de análise fanzines literários, levantando elementos
que assegurariam a paratopia desse dispositivo. Parte-se do
pressuposto de que dispositivos considerados marginais, ou
independentes, como o fanzine, por exemplo, trariam inscrita,
como constitutiva de seu discurso, sua condição paratópica. |
|
Palavras-chave:
paratopia; dispositivo enunciativo; fanzine; discurso |
Basta que na sociedade se crie
uma
estrutura paratópica para que a
criação
literária seja atraída para a
sua órbita
(MAINGUENEAU, 2001a, p. 36)
1 Introdução
Numa sociedade como a em que
vivemos, marcada por contradições de diversas ordens, é
natural que sejam criados, por parte daqueles que se vêem
excluídos, meios de fazer circular sua voz, ocultada pelas
normas sociais vigentes, ainda que em esferas restritas.
Nesse jogo de forças, surgem formas de expressão marginais,
que (sobre)vivem e se nutrem da difícil negociação entre o (re)conhecimento
de um fazer e a negação ou indiferença desse mesmo fazer
pela sociedade. Assim, para adequar-se ao propósito
estabelecido, quer seja, demarcar um território para a sua
atuação e conseqüentemente difusão de suas idéias, e para
afirmar a legitimidade do posicionamento assumido, qual seja
o de insurgir-se contra a estrutura cultural dominante, que
lhe subtrai direitos, o “excluído”,
numa atitude de recusa às formas convencionalmente aceitas,
investe em gêneros, dispositivos, que apontam, logo de
saída, a sua condição de marginal, de independente. É o
caso, por exemplo, dos fanzineiros, que, tentando vencer os
obstáculos impostos por um mercado editorial seletivo,
criam, distribuem e divulgam sua própria produção: o fanzine
ou, simplesmente, zine.
Inicialmente impressos com
rudimentares instrumentos de reprodução, como o mimeógrafo
e, atualmente, graças à popularização de outros meios de
impressão, reproduzidos em offset e máquinas fotocopiadoras
(MAGALHÃES, 2003), os fanzines mostram-se como uma opção, em
muitos casos a única, para artistas, escritores, poetas,
músicos, quadrinistas ou simples apreciadores do gênero, que
buscam, através da divulgação de suas obras, romper o
silêncio a que estariam submetidos não fosse a inquietude
que faz desses sujeitos anônimos, à margem do processo
produtivo e dos lugares instituídos (e permitidos) de
manifestação artística, verdadeiros representantes,
impertinentes
dos processos pelos quais o homem (re)significa a si mesmo e
o mundo em que está inserido e (inter)age por meio da
linguagem, das possibilidades de discurso (ORLANDI, 2002),
mesmo que na contramão do que é esperado e consentido.
Investir, pois, em um gênero
como o fanzine é posicionar-se contra a ideologia, sobretudo
a do mercado editorial e é, conseqüentemente, colocar-se à
margem desse mercado. E saber-se à margem é assumir sua
paratopia, seu lugar não definido, não estabilizado, no
âmbito da sociedade. Portanto, o objetivo maior deste
trabalho é atestar a relação entre dispositivo enunciativo e
paratopia, acreditando ser esta categoria inerente a meios
de difusão marcadamente marginais. Para tanto, discutiremos
a noção de dispositivo enunciativo, até então pouco
explorada, e o conceito de paratopia, ambos suportes
teóricos da Análise do Discurso de linha francesa. Em
seguida, através da análise de fanzines, tentaremos mostrar
que esse dispositivo enunciativo, além de revelar um
posicionamento, desvela sua dimensão pluriparatópica.
2 Gênero, suporte ou
dispositivo enunciativo?
A questão dos gêneros textuais
(ou discursivos, dependendo da abordagem adotada), desde a
última década de 80, vem atraindo a atenção de lingüistas,
independente de filiações a correntes determinadas. Esse
interesse, relativamente recente, justifica-se porque, ao
pensar a língua como possibilidade de interação e atuação, a
Lingüística dá-se conta de que não pode mais restringir seu
objeto de estudo à frase, a enunciados desvinculados de seu
contexto, de suas condições de produção e de suas situações
de interlocução. Parte, então, para o estudo, ou análise, de
unidades maiores e chega ao texto. Chegando ao texto, depara
com uma variedade de tipos, com uma diversidade de formas de
textualização, que inexoravelmente a levam a buscar uma
ordem nesse aparente caos, onde se produzem, se misturam, se
entrecruzam as inúmeras formas de enunciados. Assim, à
Lingüística urge buscar uma classificação, uma tipologização,
com o objetivo de, aliado ao da cientificidade sempre
almejada, melhor compreender seu material de análise
(BRANDÃO, 2001).
Embora a questão dos gêneros
venha atraindo a atenção de vários pesquisadores, a
definição do que venha a ser um gênero e seus limites de
constituição continua sendo problemática, posto que em
alguns casos não se pode precisar se se trata de um ou de
outro gênero, ou de gêneros entrecruzados, ou mesmo
deslocados do seu locus habitual (ZAVAM e ALMEIDA,
2003). Como bem adverte Bonini (2001, p. 8), “o conceito
está em formação, de modo que as lacunas teóricas ainda são
muitas e os resultados de pesquisas, parcos”. Não obstante
os percalços enfrentados, vários pesquisadores continuam
investindo no estudo dos gêneros e alguns resultados (SWALES,
1990; ADAM, 1992; MARCUSCHI, 2000, 2002, 2004; BONINI, 2002;
MEURER, 2002; entre outros) – muitos dos quais consensuais –
têm-se revelado bastante relevantes para o estudo da
linguagem.
À medida que os estudos avançam,
novos desafios vão se interpondo no caminho. Um deles diz
respeito a aspectos que se mostram tão imbricados no
contexto de realização das práticas discursivas, que se
torna difícil precisar limites entre uma e outra categoria
de análise. Assim, conceitos
como gênero, veículo, suporte, meio de difusão emaranham-se
e a sua destrinça muitas vezes parece não deixar
suficientemente clara e inequívoca o que vem a ser cada um.
Marcuschi (2003), analisando a
relação entre gênero e suporte, e reconhecendo a
contribuição deste último para a forma de apresentação
daquele, estabelece diferenciação entre um e outro, ainda
que ressalvando o fato de a distinção entre gênero textual e
suporte nem sempre ser fácil pela “ausência de limites
naturais”. Por gêneros
entende tratar-se de
textos da vida diária
com padrões sócio-comunicativos característicos
definidos por sua composição, objetivos
enunciativos e estilo, realizados por forças
históricas, sociais, institucionais e tecnológicas.
Os gêneros constituem uma listagem aberta, são
entidades empíricas em situações comunicativas e se
expressam em designações tais como: sermão, carta
comercial, carta pessoal, romance, bilhete,
reportagem, aula expositiva, notícia jornalística,
horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista
de compras, cardápio de restaurante, resenha
editorial de concurso, piada, conversação
espontânea, e-mail, chat e assim por diante. Os
gêneros são formas textuais escritas ou orais
‘relativamente estáveis’ (BAKHTIN, 1979) histórica e
socialmente situadas. (p. 6-7; destaques do autor)
De acordo com essa definição,
poderíamos, então, tomar o fanzine como gênero textual,
posto que tanto se trata de um texto com “padrões
sócio-comunicativos característicos definidos por sua
composição, objetivos enunciativos e estilo”, quanto pode
estar incluído na listagem aberta, assinalada pela expressão
“e assim por diante”.
Poderíamos ainda recorrer ao
conceito de gênero digital, uma vez que o fanzine também se
apresenta sob essa forma, isto é, o e-zine, ou zine
eletrônico. Ao tratar de gêneros digitais, Marcuschi (2004)
retoma os critérios de referencial bakhtiniano que servem
para a identificação de um gênero (independente do ambiente
em que circula, real ou virtual), quais sejam a composição,
o tema e o estilo, e acrescenta a mediação pela tecnologia
computacional, que responderia pela digitalização dos
gêneros. Lembra ainda outros dois aspectos centrais na
caracterização dos gêneros digitais: a alta interatividade e
a “integração de recursos semiológicos” (p. 33), que
possibilitaria a interação entre imagem, voz, música e
linguagem escrita. Sob esse ponto de vista, o e-zine também
poderia ser considerado um gênero digital, embora não figure
na lista dos doze gêneros eletrônicos analisados pelo autor.
Até aqui, caminhamos no sentido
de considerar o fanzine (impresso ou digital) como um gênero
textual. Por desconhecermos qualquer investigação na área da
Lingüística ou da Análise do Discurso (AD) que tome o
fanzine como objeto de estudo
e o veja como gênero textual (ou discursivo), devemos
admitir, pois, outra possibilidade: a de concebê-lo como
suporte.
No mesmo ensaio em que discute a
relação gênero-suporte, Marcuschi (2003, p. 3) define
suporte de um gênero como “um locus físico ou virtual com
formato específico que serve de base ou ambiente de fixação
do gênero materializado como texto” (destaque do autor)
e, em seguida, ao sintetizar o conceito, afirma tratar-se
“de uma superfície física em formato específico que suporta,
fixa e mostra um texto”. Mais adiante, estabelece
distinção entre suporte convencional e suporte incidental.
Os suportes convencionais seriam aqueles que “foram
elaborados tendo em vista a sua função de portarem ou
fixarem textos”; já os incidentais seriam aqueles que
operariam como “suportes ocasionais ou eventuais” (p. 9).
Entre os suportes convencionais, Marcuschi cita a revista de
informação (semanal ou mensal), dizendo tratar-se de suporte
distinto do jornal diário, uma vez que, além de conter menos
gêneros textuais, o fato de ser semanal, quinzenal ou mensal
lhe permite dar tratamento diverso a alguns, por exemplo, a
notícia, gênero também encontrado no jornal. Dessa forma, o
fanzine poderia ser visto como revista de informação e, como
tal, um suporte convencional.
A fim de tornar mais clara nossa
exposição, tomemos um fanzine impresso
como exemplo [figs. 1-3].

Figura 1 – Capa do fanzine Insano
Comics.
Como se vê nesses exemplos [figs.
1-3], o fanzine impresso também alberga gêneros encontrados
em revistas – carta do editor [editorial, cf. fig.2] e
cartas do leitor [cartas insanas, cf. fig.3], e tem
periodicidade definida – uma vez por mês [cf. fig.1], ainda
que em tiragem pequena e circulação restrita.

Figura 2 – Primeira contracapa.
Tomar o fanzine como gênero ou
como suporte, nessa perspectiva, não daria conta de aspectos
que pretendemos considerar na análise pretendida, pois nem
uma nem outra categoria contempla as condições de enunciação
sob as quais tal prática discursiva é constituída. Tomar o
fanzine como gênero ou suporte seria ignorar que o
enunciador do Insano Comics, por exemplo, fala de um
lugar, ocupa uma posição social e investe em um meio de
difundir sua voz. Tomar o fanzine como gênero ou suporte
significaria não considerar o ethos (“a personalidade
do enunciador”, MAINGUENEAU, 2001b, p. 98), o posicionamento
(a revelação da “identidade enunciativa”, CHARAUDEAU e
MAINGUENEAU, 2004, p. 392), nem o código de linguagem (a
variedade lingüística eleita na negociação que o enunciador
estabelece com o código que lhe é próprio e adequado ao seu
propósito, MAINGUENEAU, 2001a). Por fim, tomar o fanzine
como gênero ou suporte equivaleria a restringir-se a
características formais e funcionais dos enunciados, e o que
pretendemos é ir além, buscar a articulação dessas
características com os fatores que acabamos de levantar. É,
pois, não só considerar o aspecto formal, mas “articular o
‘como dizer’ ao conjunto de fatores do ritual enunciativo” (MAINGUENEAU,
1997, p. 36). Como nem sempre a noção de gênero ou de
suporte contempla esse conjunto de fatores, é preciso que
tomemos, então, o fanzine como dispositivo enunciativo.

Figura 3 – Segunda contracapa.
Quando optamos por tratar o
fanzine como dispositivo enunciativo, não estamos querendo
dizer que a Análise do Discurso rejeita o conceito de
gênero. Na verdade, Maingueneau (2001b, p. 59) reconhece,
como Bakhtin (2000), que “todo texto pertence a uma
categoria do discurso, a um gênero de discurso”,
correspondendo cada um a necessidades da vida cotidiana dos
locutores. Dessa forma, o analista do discurso não pode
ignorar tais categorias. Primeiro, porque é justamente o
discurso, produzido a partir de certas posições e lugares
sociais e atravessado pela materialidade lingüística, que
constitui seu objeto de investigação; segundo, porque, ainda
conforme Maingueneau (1997, p. 39), o estatuto de “sujeitos
enunciadores e de seus presumíveis destinatários é
inseparável dos gêneros de discurso utilizados”
(destaques do autor).
Mesmo reconhecendo que a “noção
de ‘gênero’ não é de fácil manejo” (1997, p. 35),
Maingueneau afirma que “a AD não pode deixar de refletir
sobre o gênero quando aborda um corpus” (p. 38), posto que
seria utópico um enunciado isento de qualquer coerção,
considerada como constitutiva do dizer. Por outro lado,
adverte o autor, a AD não deve se circunscrever à
constatação de que existe este ou aquele gênero, mas deve,
sobretudo, trabalhar com a hipótese de que recorrer
preferencialmente a um e não a outro gênero “é tão
constitutivo da forma discursiva quanto o ‘conteúdo” (p.
38).
Falar em dispositivo enunciativo
dentro de uma abordagem da análise do discurso francesa
poderia parecer um contra-senso, uma vez que não há
referência a esse termo nem em Termos-chave da Análise do
Discurso (MAINGUENEAU, 1998), nem no mais novo
dicionário de Charaudeau e Maingueneau (2004), Dicionário
de Análise do Discurso. No entanto, é o próprio
Maingueneau (2001a, p.66) que emprega o termo “dispositivos
de comunicação”, quando, ao falar de gêneros literários,
afirma que estes
não poderiam ser
considerados ‘procedimentos’ que o autor
‘utilizaria’ da maneira que lhe aprouvesse para
‘passar’ de forma diversa um conteúdo estável, mas
como dispositivos de comunicação em que o
enunciado e as circunstâncias de sua enunciação
estão implicadas para realizar um macroato de
linguagem específico (destaque nosso).
Na mesma obra, mais adiante (p.
71), o lingüista francês emprega a expressão “dispositivo
enunciativo” como sinônimo de dispositivo de comunicação.
Discutindo a relação, variável, de um posicionamento que o
escritor pode assumir (ou não) com a recorrência a
determinado gênero, Maingueneau postula que,
quer se trate de ‘criação’ de
novos gêneros ou de recusa de qualquer gênero, a inovação só
pode ter um alcance relativo. Hernani abranda o
alexandrino, mas conserva-o, quebra a unidade de tempo ou de
lugar, mas permanece no espaço do teatro à italiana. De
qualquer modo, existe um nível que é difícil colocar em
questão: a pertinência ao dispositivo enunciativo da
Literatura. (destaque nosso)
Ao considerar a relação de uma
obra (ou um discurso), com o mundo (o contexto), no qual ela
surge, Maingueneau (2001a, p. 84) diz não ser possível
apartá-la de seus “modos de transmissão e de suas redes de
comunicação”, e recorre, então, à Midiologia, disciplina
proposta por Régis Debray (1991 apud MAINGUENEAU, 1998) para
chamar atenção para a dimensão midiológica, isto é, para as
mediações materiais que não se apresentam como simples
contingências do dizer, mas como intervenientes na própria
constituição do discurso.
À midiologia interessaria o
estudo do midium, entendido, em sentido pleno, como o
“sistema dispositivo-suporte-procedimento de memorização,
articulado a uma rede de difusão” (DEBRAY, 1995, p. 218).
Para o filósofo, “midio não significa mídia nem
médium, mas mediações, ou seja, o conjunto dinâmico
dos procedimentos e corpos intermédios que se interpõem
entre uma produção de signos e uma produção de
acontecimentos” (p. 28-29). Ou ainda, na voz de Maingueneau
(2001b, p. 71-72), “o midium não é um simples ‘meio’, um
instrumento para transportar uma mensagem estável: uma
mudança importante do midium modifica o conjunto de um
gênero de discurso” (destaque do autor).
Assim, ao abordar a imbricação
entre gênero, suporte e modo de difusão (midium), com sua
importância já então atestada pela midiologia, Maingueneau
(2001b) se vale do conceito de dispositivo comunicacional
para lembrar que
Quando tratamos do midium de um
gênero de discurso, não basta levar em conta seu suporte
material no sentido estrito (oral, escrito, manuscrito,
televisivo etc.). É necessário também considerar o conjunto
do circuito que organiza a fala. [...] Na realidade é
necessário partir de um dispositivo comunicacional
(destaque do autor) que integre logo de saída o midium. (p.
72)
Portanto, poderíamos dizer que,
para Maingueneau, dispositivo comunicacional (ou
enunciativo) seria o todo de um enunciado, produzido sob
determinadas condições de enunciação, sujeito a coerções
constitutivas de sua natureza, materializado em um suporte,
que, por sua vez, estaria agregado a um modo de difusão que
influenciaria (assim como seria influenciado por) o próprio
discurso.
O conceito de dispositivo
comunicacional (ou enunciativo) não figura somente na obra
de Maingueneau. Costa (2001, p. 16), procurando contemplar
todos os aspectos da enunciação (gênero, cenografia, ethos,
entre outros) no discurso lítero-musical brasileiro,
refere-se aos textos do cancioneiro popular como
dispositivos enunciativos, para tentar compreender a canção,
tomada como “produto de uma comunidade discursiva
específica”, em todas as suas dimensões enunciativas. O
mesmo Costa (2003), ao falar sobre o modo como os discursos
circulam na sociedade, recorre ao conceito de dispositivo
enunciativo definindo-o como “um produto simbólico que
integra numa unidade, em condicionamento mútuo, todos os
fatores envolvidos em seu funcionamento: o gênero, o
suporte, o código de linguagem, o etos”.
Assim, ancorados nessa definição
a nosso ver mais precisa, trataremos o fanzine como
dispositivo enunciativo e dessa forma poderemos ainda
contemplar, na mesma perspectiva da Análise do Discurso, uma
categoria que nos parece inseparável de dispositivos
enunciativos marginais, como o fanzine: a paratopia, essa
condição do enunciador que se esforça para superar seu não
pertencimento a lugares e posições institucionalizadas, e
que paradoxalmente lhe assegura a própria enunciação.
3 A paratopia do dispositivo
fanzine
A noção de paratopia foi
introduzida por Maingueneau, 2001a [1993],
para tratar da questão problemática que é a pertinência de
um escritor ao campo literário e à sociedade. Se, por um
lado, o campo literário inscreve-se na sociedade, por outro,
é a própria enunciação literária que abala a estabilidade da
representação convencional daquilo que se entende por lugar,
onde fora e dentro encontram-se delimitados. O espaço
discursivo da literatura se constitui na fronteira, isto é,
não se localiza nem dentro, posto que a literatura não se
confunde com a sociedade comum como tantos outros campos da
atividade social, nem fora, porquanto não se fecha em si
mesma, muito menos vive apartada da realidade. Como bem
salienta Maingueneau (2001a, p. 28), “a pertinência ao campo
literário não é, portanto, a ausência de qualquer lugar, mas
antes uma negociação difícil entre o lugar e o não-lugar,
uma localização parasitária, que vive da própria
impossibilidade de se estabilizar”.
Há que se ressaltar o fato de
que o estudo da paratopia, em Maingueneau, deveu-se à lacuna
deixada pelos tradicionais analistas da literatura que
procediam à análise de uma obra literária sob dois enfoques:
ou se considerava a história literária, numa perspectiva
filológica, isto é, a obra seria a expressão e a
representação de seu tempo; ou se considerava a clausura
literária, numa perspectiva estilística, ou seja, tomada
como um universo fechado, traduziria o espírito, a
consciência criadora do autor.
Essa visão reducionista, embora
tendo se prolongado por muito tempo, não impediu que uma
nova abordagem e concepção do fato literário se
instaurassem. Assim, correntes que viam a obra literária sob
um novo olhar passam a concebê-la como “um ato de
comunicação no qual o dito e o dizer, o texto
e seu contexto são indissociáveis” (MAINGUENEAU, 2001a, p.
X).
Silva (2003), analisando as
relações entre filosofia e literatura na obra de Albert
Camus, constata a posição paratópica do escritor (pobre e
argelino numa França conservadora) que tem seus escritos
marginalizados, tanto os filosóficos, por não se
circunscreverem no âmbito da tradição dominante do
pensamento filosófico, quanto os literários, por romperem
com o que é esperado dentro de uma certa tradição do gênero
romance e valerem-se de recursos literários pouco ortodoxos.
Por sua vez, Costa (2001)
estendeu o conceito de paratopia e, saindo um pouco da
esfera reconhecidamente literária, aplicou-o ao universo
lítero-musical brasileiro, embora se deva admitir, como o
próprio autor o faz, que esse tipo de discurso em alguns
aspectos é considerado literário, em outros, não. O discurso
lítero-musical não se situa dentro nem fora do campo
literário (este também paratópico em relação à sociedade),
estando, portanto, num permanente e duplo conflito entre o
lugar e o não-lugar de que fala Maingueneau.
Analisando a localidade
paradoxal, isto é, a paratopia, e considerando os aspectos
que essa paratopia pode assumir em função de épocas e
sociedades distintas, Maingueneau (2001a) estabelece
distinção entre paratopia espacial e paratopia social.
A paratopia espacial estaria
associada, por um lado, à ausência de um lugar verdadeiro e,
por outro, aos lugares constituídos na disputa travada pelas
“relações entre o escritor e a sociedade, o escritor e sua
obra, a obra e a sociedade” (p. 30). Esses lugares não são
identificados como espaços físicos concretos: muitas vezes
podem ser assegurados pela convergência de idéias, de
projetos, de propostas de vida. Nesse sentido, os escritores
se agrupam em tribos, isto é, “comunidades discursivas que
implicam ritos, normas, intercâmbios e marcação de espaços”
(COSTA, 2004, p. 330). Existem assim tribos de natureza
variada, umas marginais, excluídas da sociedade, mas
inscritas em movimentos underground, e outras de
certa forma estruturadas, cujos membros literários, apesar
de não desfrutarem de uma posição assegurada pelo aparelho
social, são benquistos pelo mercado editorial, sendo
reconhecidos e alguns até laureados pela sociedade. Essas
tribos estruturadas habitam o Olimpo, esse lugar etéreo, e
sagrado, destinado às divindades; aquelas vagam pelo limbo,
às vezes em busca de uma vaga nesse território disfarçado de
lugar social; outras ainda, vangloriando-se dessa condição
paradoxal de enunciar de um lugar “deslocalizado”.
Maingueneau (2001a, p. 31) reconhece a existência de “um
certo número de ‘tribos invisíveis’, que desempenham um
papel na arena literária, sem por isso terem tomado a forma
de um grupo [literário] constituído”. É nessas tribos
“invisíveis”, marginais, que incluímos os fanzineiros,
sobretudo os literários.
Nesse momento, faz-se oportuno
lembrar que o fanzine surge no Brasil na década de 60,
representando a resistência das histórias em quadrinhos
brasileiras frente ao descaso das grandes editoras e à
invasão das HQ estrangeiras (MAGALHÃES, 2003). Assim, os
fanzines originais, primeiros, são boletins de histórias em
quadrinhos. Quadrinhos produzidos pelos excluídos do espaço
assegurado aos quadrinistas reconhecidos. Surge, então, uma
estrutura paratópica e é para a órbita dessa estrutura que
se vêem atraídos os escritores literários (MAINGUENEAU,
2001a), quer por se verem rejeitados pela sociedade e pelo
mercado editorial excludente, quer por se posicionarem
contra a ideologia dominante e, assim, assumirem uma posição
contrária a desse mesmo mercado.
Já a paratopia social estaria
vinculada à problemática posição na estrutura social a que o
escritor inevitavelmente estaria fadado. Problemática pela
sua relação com o meio do qual poderá tirar proventos, posto
que “com a escrita, da mesma forma que com a arte em geral,
a noção de ‘trabalho’, de ‘salário’, só pode ser colocada
entre parênteses” (MAINGUENEAU, 2001a, p. 38). Dito de outra
forma, o fazer literário não é visto como uma atividade
laboral com a qual se possa ganhar dinheiro; muito pelo
contrário, os escritores que fazem da “arte de escrever” uma
forma de amealhar riqueza são, via de regra, malvistos,
quando não proscritos da tribo dos literatos.
Sobre essa relação problemática
do escritor com o dinheiro, Costa (2004, p. 328) afirma que,
se a atividade literária,
por um lado, é uma
atividade material, que depende de uma força
produtiva e de uma infra-estrutura para ser
realizada, sem a qual não há literatura, por outro,
não só o escritor rejeita essa dependência, como
também a própria sociedade costuma negar um lugar
‘normal’ ao fazer literário no interior da estrutura
produtiva e ao escritor na convivência social.
Ao investir, pois, num
dispositivo como o fanzine para divulgar sua obra, o
escritor (fanzineiro literário) quer ver reconhecida a sua
“vocação enunciativa”
e investe nela mesmo sabendo que a sociedade não lhe dará
retorno financeiro, nem muito menos lhe destinará uma
posição privilegiada na estratificação social, conforme se
vê no texto a seguir:
A Noite no Quixabeira
Glauber Albuquerque
Desculpem-me,
não era a minha intenção,
levar a poesia para as mesas
onde os burgueses bebericam e conversam.
Juro que não era, mesmo, a intenção.
Pois os versos da poesia, são livres,
e não acorrentados a qualquer status-quo
ou a qualquer bom modo,
do senso “sofismático”.
E a minha poesia quer bailar,
mas não nos porões de ratos,
pois nossa poesia, quer brincar
de sentir e de ser sentida.
Nos colégios, nas praças, no manicômio,
no teatro, no hospital, no asilo
e em todos os lugares
onde a expressão possa ser sentida.
Porque não me importa
se os figurantes sabem ou não
o valor da palavra: crepúsculo.
O que importa são se seus corações
estão abertos a sentir,
da revolta a compaixão.
Estando livre para
chorar por melancolia ou êxtase.
Isso sim é poesia!
e ainda posso até conceituar,
ser superior a saber de forma erudita
o valor que o dicionário nem tem.
Neste poema, o escritor
reconhece a sua não-pertinência às camadas sociais que
desfrutam de lugares próprios e se desculpa pela “invasão” (não
era minha intenção, / levar a poesia para as mesas /
onde os burgueses bebericam e conversam), assim como
identifica os espaços – tipicamente ocupados por aqueles
que, como ele, sentem-se alijados – onde pode difundir seu
discurso, por saber que aí encontrará uma audiência
garantida, refletida (manicômio, praças, teatro,
hospital, asilo).
A evocação pelo poeta das “mesas
onde os burgueses bebericam e conversam” permite-nos
estabelecer uma analogia com o que postula Maingueneau
(2001a, p. 33) acerca do café (lugar de convivência social)
do século XIX: localizado na fronteira do espaço social, o
café (no nosso caso o bar), constitui “lugar de dissipação
de tempo e dinheiro, de consumo de álcool e fumo”,
permitindo “que mundos distintos se encontrem lado a lado”
e, portanto, que o poeta/artista freqüente um lugar sem,
contudo, ocupá-lo, porque não possui “status-quo”. É a
paratopia sendo transposta para o interior da obra; é, pois,
a paratopia constituindo o conteúdo da própria obra.
Essa instabilidade espacial e
social leva o escritor, poeta ou artista, segundo
Maingueneau (2001a, p. 36) a “identificar-se com todos
aqueles que parecem escapar às linhas de divisão da
sociedade: boêmios, mas também judeus, mulheres, palhaços,
aventureiros, índios da América..., de acordo com as
circunstâncias” (destaque nosso), como se verifica na capa
do fanzine acima referido, reproduzida na figura 4.
Até aqui, constatamos a dupla
paratopia do fanzineiro, quer numa dimensão espacial, quer
numa dimensão social. No entanto, é nosso objetivo ainda
postular que se possa falar, além de posição paratópica e
lugar paratópico, em dispositivo paratópico. Defendemos que
o dispositivo enunciativo fanzine é um dispositivo
paratópico e, como tal, traria inscrita na sua
materialidade, além de um posicionamento contra os valores
instituídos pela ideologia dominante, um etos de um
enunciador revolucionário, contestador, inovador, e, pois, a
sua condição paratópica. A paratopia não estaria, portanto,
somente associada a lugar, posição, personagem ou tempo,
poderia estar também associada ao dispositivo enunciativo
que marcasse essa situação. Não estamos propondo que
haveria, por outro lado, dispositivos “tópicos”, mas sim que
haveria formas distintas de revelar essa paratopia: marcada
e não marcada.
A paratopia mostrada e
não-marcada (numa alusão ao que propõe Authier-Revuz, 1990,
para a questão da heterogeneidade enunciativa) seria
constitutiva de dispositivos enunciativos com circulação
garantida por serem reconhecidos meios de difusão cultural
(da cultura da ideologia dominante): o livro (aquele
disponibilizado nos locais destinados à comercialização de
produtos), o jornal e a revista (da grande imprensa, ou
digamos, da imprensa padrão), o CD produzido nas gravadoras
que detêm o monopólio da produção musical, entre outros. E
por que seriam paratópicos, mesmo assim? Porque, no caso do
material a que nos referimos, continuariam sendo “discursos”
produzidos por escritores, poetas, artistas, todos
paratópicos, como vimos. Além do que as tribos se diferem
pela paratopia, pelo dispositivo de que lançam mão.

Figura 4 – Capa do fanzine As
flores mortas do palhaço (nº 1).
Já a paratopia mostrada e
marcada seria constitutiva de dispositivos enunciativos
alternativos, tais como o fanzine, a revista e o jornal da
imprensa alternativa, ou qualquer outra publicação
underground, e, ainda, o CD independente, desvelando a
pertinência irredutível desses escritores, poetas, artistas
anônimos à sociedade que os rejeita e, ao mesmo tempo, os
inclui. A ancoragem dessa paratopia marcada seria o próprio
dispositivo, estigmatizado muitas vezes por trazer
denunciadas as condições precárias em que foi produzido
(legibilidade comprometida pelas técnicas mais populares de
impressão, por exemplo), que, de certa forma, acabam por
contribuir com a significação que o discurso busca impor.
O fanzine seria então um
dispositivo enunciativo que desvelaria sua dimensão
pluriparatópica: a paratopia espacial, posto que o escritor
e/ou poeta de fanzines, pertencendo a uma tribo, enunciaria
de um lugar não reconhecido, um lugar fronteiriço; a
paratopia social, porquanto sua atividade de escritor,
diferentemente das atividades profissionais “tópicas” (MAINGUENEAU,
2001a, p. 39), não possibilitaria uma posição assegurada
pelas regras do aparelho social; e a paratopia do
dispositivo, uma vez que não pertenceria ao âmbito dos
dispositivos que gozam de circulação e difusão privilegiadas
e asseguradas pelas instâncias constituídas.
4 À guisa de conclusão
Neste artigo, procuramos
analisar a relação entre paratopia e dispositivo
enunciativo. Partimos, inicialmente, da validação de se
tomar o fanzine não como gênero ou suporte, mas sim como
dispositivo enunciativo, uma vez que pretendíamos não deixar
de abordar, ainda que superficial e indiretamente, algumas
categorias da Análise do Discurso, como posicionamento e
etos, mas, sobretudo, de considerar a paratopia.
Nossa investigação nos permitiu
evidenciar que o fanzine, assim como outros dispositivos
marginais, desvela, além de um posicionamento do autor em
relação à estrutura que controla e manipula, os meios de (re)produção
cultural, uma situação paratópica plurivalente, evidenciada
tanto pela paratopia da posição do escritor, do lugar do
enunciador, quanto marcada pelo investimento na
marginalidade do próprio dispositivo.
Assim como há escritores, e como
tal paratópicos, que têm um “espaço” reservado, assegurado,
para a materialização do seu discurso, de certa forma
“autorizado”: o romance, a antologia (livros); por outro
lado, há outros a quem não é permitido habitar esse
“território particular”, próprio dos escritores laureados:
os fanzineiros, por exemplo, que têm a materialidade
enunciativa atravessada pela batalha que travam na
reprodução e difusão do seu discurso.
Acreditamos, por outro lado, que
investir em um novo dispositivo e, conseqüentemente, em um
novo meio de difusão significa contribuir para a
desestabilização dos dispositivos e meios instituídos, que
têm lugar de certa forma reservado, numa sociedade que
preserva os valores daquilo que considera aceitável;
significa, ainda, reivindicar reconhecimento, ainda que fora
dos padrões convencionais, modificar as relações de poder;
significa, em última instância subverter, e por que não?, a
ordem n(d)o discurso.
Para finalizar, gostaríamos de
nos reportar a Orlandi (2002, p. 39), quando afirma que “não
há, desse modo, começo absoluto nem ponto final para o
discurso”, no caso, o nosso. Hoje, o fanzine pode ser
considerado paratópico marcado, amanhã não, sobretudo se
considerarmos as inscrições históricas pelas quais a obra
literária passou nas mais distintas épocas da nossa
sociedade; sobretudo se considerarmos que a representação de
um discurso (em gêneros, dispositivos, mídias) depende
inexoravelmente de posições históricas e socioculturais a
que toca viver o escritor, o artista, o poeta.
Referências
ADAM, J.-M. Les textes:
types et prototypes. Paris: Nathan, 1992.
AUTHIER-REVUZ, Jacqueline.
Heterogeneidade(s) enunciativa(s). Cadernos de Estudos
Lingüísticos, Campinas, n. 19, p.25-42, jul./dez. 1990.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da
criação verbal. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
BONINI, Adair. Gêneros
textuais e cognição: um estudo sobre a organização
cognitiva da identidade dos textos. Florianópolis: Insular,
2002.
______. Ensino de gêneros
textuais: a questão das escolhas teóricas e metodológicas.
Trabalhos em Lingüística Aplicada.
Campinas, n. 37, p. 7-23, jan./jun.
2001.
BRANDÃO, Helena N. Texto,
gêneros do discurso e ensino. In: ______. (Coord.).
Gêneros do discurso na escola: mito, conto, cordel,
discurso político, divulgação científica. 2. ed. São Paulo:
Cortez, 2001. p. 17-45.
CHARAUDEAU, Patrick; MAINGUENEAU,
Dominique. Dicionário de análise do discurso. São
Paulo: Contexto, 2004.
COSTA, Nelson B da. A
produção do discurso lítero-musical brasileiro. 2001.
Tese (Doutorado em Lingüística) – Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, São Paulo, 2001.
______. Canção popular e ensino
da língua materna: o gênero canção nos Parâmetros
Curriculares da Língua Portuguesa. Linguagem em (dis)curso,
v. 4, n. 1, jul./dez. 2003. Disponível em: <http://www3.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/revista/revista.htm>.
Acesso em 12 maio 2004.
______. Um artista brasileiro:
paratopias buarqueanas. In: FERNANDES, Rinaldo (Org.).
Chico Buarque do Brasil: textos sobre as canções, o
teatro e a ficção de um artista brasileiro. Rio de Janeiro:
Garamond; Fundação Biblioteca Nacional, 2004. p. 325-351.
DEBRAY, Régis. Manifestos
midiológicos. Petrópolis: Vozes, 1995.
MAGALHÃES, Henrique. A mutação
radical dos fanzines. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO (INTERCOM), 26. Anais... Belo
Horizonte, set. 2003. Disponível em: <http://intercom.locaweb.com.br/papers/congresso2003/nucleos_np16.shtml>.
Acesso em: 28 jul. 2004.
MAINGUENEAU, Dominique. Novas
tendências em análise do discurso. 3. ed. Campinas:
Pontes; Editora da Unicamp, 1997.
______. Termos-chave da
análise do discurso. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.
______. O contexto da obra
literária: enunciação, escritor, sociedade. 2. ed. São
Paulo: Martins Fontes, 2001a.
______. Análise de textos de
comunicação. São Paulo: Cortez, 2001b.
MARCUSCHI, Luiz A. Gêneros
textuais: o que são e como se constituem. Recife, 2000.
(Não publicado)
______. Gêneros textuais:
definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, Angela P.;
MACHADO, Anna R.; BEZERRA, Maria A. (Orgs.). Gêneros
textuais & ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002.
p. 19-36.
______. A questão do suporte dos
gêneros textuais. Língua,
lingüística e literatura, João Pessoa, v. 1, n.1, p.
9-40, 2003.
______. Gêneros textuais
emergentes no contexto da tecnologia digital.
In: ______; XAVIER, Antonio C. (Orgs.).
Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de
construção de sentido. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004. p.
13-67.
MEURER, José L. Uma dimensão
crítica do estudo de gêneros textuais. In: ______;
MOTTA-ROTH, Desirée (Orgs.). Gêneros textuais e práticas
discursivas: subsídios para o ensino da linguagem.
Bauru: EDUSC, 2002. p. 17-29.
ORLANDI, Eni P. Análise de
discurso: princípios & procedimentos. 4. ed. São Paulo:
Pontes, 2002.
SILVA, Nilson A. G. da. A
paratopia em Alberto Camus. In: PAULIUKONIS, M. Aparecida
L.; GAVAZZI, Sigrid. (Orgs.). Texto e discurso:
mídia, literatura e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2003.
p. 176-183.
SWALES, J. M. Genre analysis:
English in academic and research settings. Cambridge
University Press, 1990.
ZAVAM, Aurea; ALMEIDA, Nukácia.
Gêneros textuais e ensino. Universidade Aberta do
Nordeste. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 2003.
Fascículo 5.
Recebido em 13/08/05. Aprovado em
18/10/05.
Resumos
Title: Fanzine: the
paratopic polyvalence
Author: Aurea Suely Zavam
Abstract:
This paper
describes a research in which the relation between
paratopia and utterance is discussed. Based on
Discourse Analysis, the research focuses on literary
fanzines, indicating those elements that would
assure the paratopy of such a device. It is assumed
that literary devices considered marginal or
independent, as the fanzine, for example, would
present a paratopical condition as constitutive of
its discourse.
Keywords: paratopy;
utterance; fanzine; discourse.
|
Tìtre: Fanzine:
la plurivalence paratopique
Auteur: Aurea Suely Zavam
Résumé: Cet article
a comme objectif
discuter la relation entre la paratopie et le
dispositif énonciatif. Fondée dans les perspectives
théoriques de l’Analyse du Discours, la recherche
prend comme objet de l’analyse des fanzines
littéraires, apportant des éléments qui assureraient
la paratopie de ce dispositif. On part du présupposé
qui considère que des dispositifs considerés
marginaux, ou indépendants, comme le fanzine. par
exemple, apporteraient l’inscription de sa condition
paratopique comme constitutive de son discours.
Mots-clés:
paratopie; dispositif énonciatif; fanzine;
Discours.
|
Título: Fanzine: la
plurivalencia paratópica
Autor: Aurea Suely Zavam
Resumen: Este
artículo relata una investigación en la que se
discute la relación entre paratopía y dispositivo
enunciativo. Desde la teoría del Análisis del
Discurso, la investigación toma fanzines literarios
como objeto de análisis, poniendo de relieve
elementos que garantizarían la paratopía de ese
dispositivo. Se parte del presupuesto de que
dispositivos considerados marginales o
independientes, como el fanzine, por ejemplo,
llevarían inscripta su condición paratópica como
constitutiva de su discurso.
Palabras-clave: paratopía; dispositivo
enunciativo; fanzine; discurso.
|
Notas
Sobre paratopia temporal ou paracronia, conferir
Costa (2004, p. 325-351).
 |